O desafio agronômicoA camada silenciosa que define o teto real de uma área
A produtividade de uma lavoura no cerrado de Mato Grosso costuma ser discutida em torno dos macronutrientes, da água e do potencial genético da semente. Existe, porém, uma camada mais silenciosa: a disponibilidade dos micronutrientes no solo. Boro, manganês, enxofre, zinco e cobre estão presentes em quantidades muito pequenas no tecido vegetal, e participam de etapas que a planta não consegue improvisar. Quando um desses elementos falta, a lavoura cresce com um limitador interno, expressando apenas parte do que a genética e a adubação de base prometiam.
Os solos do cerrado têm uma história mineralógica que agrava o cenário. São solos intemperizados, de carga predominantemente variável, naturalmente pobres em micronutrientes nas frações disponíveis e sujeitos a décadas de exportação por colheitas sucessivas. Cada saca que sai da porteira leva consigo zinco, boro, manganês, cobre e enxofre que precisam retornar ao sistema.
A calagem, prática essencial para corrigir acidez e elevar a saturação por bases, eleva o pH e reduz, na mesma medida, a disponibilidade da maioria dos micronutrientes catiônicos. O produtor faz tudo certo do ponto de vista da acidez e, ainda assim, induz carência justamente nos elementos que sustentam a fotossíntese e a fertilidade da flor.
O resultado é a deficiência oculta: a planta não mostra sintoma visível claro, o talhão parece uniforme e o rendimento fica abaixo do potencial. É uma perda que raramente aparece no diagnóstico de campo e quase sempre aparece na balança da colheita.